Bate Bola Ágil : Práticas de codificação colaborativa com Bernardo Estácio

Olá Pessoal da Comunidade Tá Safo! 🙂

Hoje iremos fazer um bate bola ágil com o nosso amigo Bernardo Estácio. O assunto abordado é sobre práticas de codificação colaborativa, assunto esse que fez parte da tese de Doutorado em Ciência da Computação de nosso entrevistado.

Fábio: “Uma avaliação empírica sobre a aprendizagem colaborativa em Coding Dojo Randori no contexto de desenvolvimento de software”, esse foi o tema de sua tese, de onde veio a inspiração para esse trabalho?

Bernardo: Oi, Fábio! Gostaria primeiramente de agradecer o convite de participar do blog Tá Safo!. A escolha do tema foi inspirada na necessidade de avaliar formas colaborativas de aprendizagem e ensino de programação. Neste sentido, observou-se que Coding Dojo é uma prática de codificação colaborativa com uma adoção crescente na indústria (principalmente no contexto ágil), porém com poucas evidências científicas e poucos relatos de experiência que mostram como esta prática pode ajudar de fato na aprendizagem dos desenvolvedores.

Fábio: Dentre os formatos de Coding Dojo, existem os Kata e Kake, porque você escolheu o Randori?

Bernardo: Esta pergunta é bem interessante! O formato Randori consiste em um grupo de desenvolvedores colaborando juntos, a sua estrutura consiste em um piloto, um copiloto e um audiência. Em pequenos intervalos de tempo, o copiloto passa a ser piloto, e um membro da audiência passa a ser o copiloto. Este formato sem dúvidas enfatiza a colaboração de todos como um time, além de que na literatura acadêmica e nos relatos de experiência por profissionais da indústria é o mais utilizado. Estes foram os motivos que nos apoiaram na escolha deste formato.

Fábio: Você pode contar uma experiência prática do Randori em uma empresa que você trabalhou?

Bernardo: Participei de um projeto de imersão em métodos ágeis chamado Software Kaizen sob iniciativa do Professor Rafael Prikladnicki, uma parceria entre Centro de Inovação PUCRS e Thoughtworks. Neste projeto, nós utilizamos Coding Dojo de forma regular, seja para ensino de práticas ágeis como TDD, seja para nivelamento dos novos participantes do projeto. Em algum momento quando surgia uma tecnologia nova como um framework, também rodávamos sessões de Randori.

Fábio: O Dojo no japonês é o local onde se treina. Mais que uma área de treino é um lugar de respeito, gostaria que você falasse dos valores que existem por trás dessa prática.

Bernardo: O Coding Dojo é inspirado em treinamentos de artes marciais como o Judô, desta forma há diversos valores por trás como o respeito, a comunicação e o feedback. Valores estes bem alinhados com os valores da Extreme Programming (XP), por exemplo. A principal motivação de uma sessão de Coding Dojo deve ser de criar um ambiente não competitivo, propício a aprendizagem.

Fábio: Na dinâmica do Randori temos algo parecido com a “programação em par”, muitos gestores acreditam que juntar duas pessoas para trabalhar em um problema é um desperdício, como lidar com essa situação?

Bernardo: Treinamentos tradicionais como aulas expositivas em laboratório nem sempre se mostram uma forma efetiva, haja vista que poucos se aproximam de  um ambiente real de natureza colaborativa. O desenvolvimento de software tem se mostrado cada vez mais como uma atividade colaborativa e não isolada. Coding Dojo está alinhado com isto, e se mostra uma alternativa viável de treinamento para desenvolvimento de software.

Fábio: Muito tem se falado na comunidade sobre Mob Programming. Poderia falar um pouco como funciona e qual a relação com práticas de codificação colaborativa como Coding Dojo?

Bernardo: Excelente Pergunta! Mob Programming é quando todo o time se mobiliza para colaborar de forma conjunta. Trata-se também de uma prática de codificação colaborativa bem semelhante ao Coding Dojo Randori, porém com foco um pouco diferente. Enquanto a primeira é utilizada em atividades regulares do dia a dia, a segunda tem um foco mais em treinamento e aprendizagem, onde é bastante utilizada em Meet ups pela comunidade ou eventos promovidos por empresas.

Fábio: Bernardo, obrigado por compartilhar seu conhecimento. Deixo o espaço aberto para suas considerações.

Bernardo: Gostaria de agradecer novamente ao convite de colaborar com este blog. É impossível pensar em Dojos e não ligar à comunidades como a Tá Safo!, onde durante a sua história já promoveu alguns. O mindset ágil está constantemente presente nestas práticas de codificação colaborativa e é super interessante promover elas nos nossos times de desenvolvimento :). Abraços e Obrigado.

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